Chegou a reforma da ortografia ...
Para facilitar a Gramática ...
Tirando toda a agonia ...
De uma forma lunática !
Mas esta reforma sem volta ...
Gerou confusão e revolta ...
No mundo das letras encantadas ...
Que ficaram muito assustadas !
Para resolverem um problema ...
Mataram o inofensivo trema !
Só porque ele virava um bicho chocante ...
Para muitos preguiçosos estudantes !
Assim com a força de um poema ...
Surgiu o movimento dos sem trema :
Lingüiça , cinqüenta , freqüência ,
Argüição , pingüim e eloqüência !
Nos ônibus dos ditongos ,
Que não são nada mongos ,
Tiraram todos os assentos ...
Sem penas e sem sentimentos !
Hífens foram retirados de palavras puras ...
Com brigas cruéis e muito duras !
Os hiatos “oo” e “ee “ perderam os chapéus ,
Que foram para o Reino do Beleléu !
Para serem vendidos em algum brechó ...
Toda esta situação é de dar dó !
Hífens foram retirados de palavras puras ...
Com discussões cruéis e muito duras !
Chegou a reforma da ortografia ...
Para facilitar a Gramática ...
Tirando toda a agonia ...
De uma forma lunática .
Autora: Luciana do Rocio Mallon
sábado, 3 de janeiro de 2009
Já entrou em vigor a nova reforma ortográfica da Língua Portuguesa

Desde o primeiro dia deste mês de janeiro está em vigor a nova reforma ortográfica da Língua Portuguesa, sendo válida para os oito países que falam o idioma português no mundo: Portugal, Brasil, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, São Tome e Príncipe, Cabo Verde e Timor Leste. O objetivo principal da alteração ortográfica é unificar as diferentes grafias, porém permanece a pronúncia própria de cada país.Aqui no Brasil as principais mudanças serão a eliminação de alguns acentos, do trema (aqueles “pinguinhos” na letra u), e a adoção de novas regras para o hífen. Até o mês de dezembro de 2012 será permitido o uso tanto da antiga ortografia quanto a que entrou em vigor.Confira abaixo as principais mudanças ortográficas em detalhes:AS LETRAS K, W, YA incorporação das letras k, w e y: serão utilizadas para escrever símbolos de unidades de medida – como km (quilômetro), kg (quilograma), w (watt) – e em palavras e nomes estrangeiros e seus derivados como weberiano, darwinismo, playboy, kung fu, orkut, Kafka e William.ACENTUAÇÃO:O acento circunflexo usado nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer, dar, ler, ver e derivados: não será mais utilizado. Ex.: crêem (creem), dêem (deem), lêem (leem). Palavras terminadas em hiato oo também perdem acento: enjôo, vôo e magôo para enjoo, voo e magoo. No entanto, permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter, vir e derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir, etc). Ex.: ele tem quatro carros/eles têm quatro carros; ele vem de Cuiabá/eles vêm de Cuiabá.O acento agudo nos ditongos abertos: não será mais utilizado. Ex.: ei e oi de paroxítonas – que tem acento tônico na penúltima sílaba –, palavras como assembléia, geléia e jibóia perdem o acento agudo. As oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis continuam a ser acentuadas: papéis, herói(s), troféu(s) e chapéu(s).Formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com u tônico precedido de g ou q e seguido de e ou i: perdem o acento agudo. Verbos como averigúe (averigue), apazigúe (apazigue) e argúem (arguem).O uso do trema: a partir de agora deixa de ser utilizado, a não ser em nomes derivados e próprios. As palavras deixam de ter trema, mas a pronúncia continua como antes. Ex.: de lingüiça para linguiça. Em palavras estrangeiras, o acento continua a ser usado. Ex.: Müller.Palavras paroxítonas com i e u tônicos: perdem o acento quando vierem depois de ditongo. Ex.: feiúra, baiúca, bocaiúva. No entanto, o acento permanece se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem no final, seguidos ou não de s. Exemplos são Piauí, tuiuiú, tuiuiús.Os acentos agudo e circunflexo: não serão mais usados para diferenciar as seguintes palavras: pára (flexão do verbo parar) de para (preposição); péla (flexão do verbo pelar) de pela (combinação da preposição com o artigo); pólo (substantivo) de polo (combinação antiga e popular de 'por' e 'lo'); pélo (flexão do verbo pelar), pêlo (substantivo) e pelo (combinação da preposição com o artigo; pêra (substantivo - fruta), péra (substantivo arcaico - pedra) e pera (preposição arcaica).O acento circunflexo permanece para diferenciar: pôde (passado do verbo poder) de pode (presente do verbo poder); pôr (verbo) de por (preposição). Já o uso do circunflexo para diferenciar as palavras forma (formato) e fôrma (de fazer bolo) é facultativo.Há variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo. Se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas. Ex.: verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem. No verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.Se os verbos forem pronunciados com u tônico: essas formas deixam de ser acentuadas. Ex.: verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam, enxague, enxagues, enxaguem. Verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem, delinqua, delinquas, delinquam. Obs: no Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, com a e i tônicos.USO DO HÍFEN:Depois de prefixo: quando a segunda palavra começar com s ou r, as consoantes devem ser duplicadas. Ex.: antirreligioso, antissemita, contrarregra. No entanto, o hífen será mantido quando os prefixos terminarem com r, como hiper-, inter- e super-. Ex.: hiper-requintado, inter-resistente, super-revistaNão usa-se o hífen: quando o prefixo terminar em vogal e a segunda palavra começar com uma vogal diferente. Exemplos: extraescolar, aeroespacial, autoestrada.Sempre usa-se o hífen diante de h. Ex.: anti-higiênico, super-homem.Prefixo terminado em vogal: não usa-se hífen diante de vogal diferente: autoescola, antiaéreo; sem hífen diante de consoante diferente de r e s: anteprojeto, semicírculo; não usa-se também diante de r e s, e dobram-se essas letras: antirracismo, antissocial, ultrassom; usa-se hífen diante de mesma vogal: contra-ataque, micro-ondas.Prefixo terminado em consoante: usa-se o hífen diante de mesma consoante: inter-regional, sub-bibliotecário; não usa-se hífen diante de consoante diferente: intermunicipal, supersônico; não usa-se também diante de vogal: interestadual, superinteressante.Com o prefixo sub: usa-se o hífen diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc. Palavras iniciadas por h perdem essa letra e juntam-se sem hífen: subumano, subumanidade. Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano. O prefixo co une-se em geral com a segunda palavra, mesmo quando esta se inicia por o: coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar.Com o prefixo vice: usa-se sempre o hífen: vice-presidente, vice-rei, vice-almirante. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. Ex: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró: sempre usa-se o hífen. Ex.: ex-aluno, sem-terra, além-mar, aquém-mar, recém-casado, pós-graduação, pré-vestibular, pró-europeu.
Publicado por: GuiaSJP.com - Jornalista Antonio Bobrowec 02/01/2009
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Um brinde!!!
Enfim, chegamos ao fim!!Estou com uma sensação estranha ao término do trabalho na tutoria. Dever cumprido? Será? Ou apenas o primeiro degrau dessa longa escada rumo ao conhecimento??? Dúvidas? Parece que sim, os questionamentos são pertinentes, pois como bem disse a profa. Hilda Lontra ao final de um trabalho sempre pensamos que poderíamos tê-lo feito melhor.
O Alfa chegou ao fim, foram muitos encontros gratificantes e envolventes, muitos desafios... Chorei como uma tonta, emocionadíssima ao me despedir dos meus novos amigos, que maravilhosos foram os momentos que passamos juntos, tão gratificante e enriquecedor, não sei adjetivos suficientemente capazes de qualificar os momentos de convivência. Fica a amizade, muiiiiiita saudade e um desejo enorme de quero mais.
Para 2009, desejos de muita paz, saúde e solidariedade. Tenho certeza que os melhores dias ainda estão por vir, espero que estejamos com o coração aberto para recebê-los.
Adeus ano velho...Feliz 2009 a todos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
sábado, 6 de dezembro de 2008
É a escola que tem de ser reprovada
A repetência nas primeiras séries brasileiras é uma das mais altas do mundo. Até quando as crianças vão ser punidas pelo descaso com a educação? Ana Aranha/Época
SÓ METADE PASSOU Sala de aula em Maiquinique, interior da Bahia. Apenas 56% dos alunos foram aprovados ao fim da 1ª série em 2007
Os alunos brasileiros estão entre os mais reprovados de ano no mundo. Só perdem para as turmas de Suriname, Nepal e um grupo de 12 países da África. Os dados são do Relatório Global de Monitoramento da Educação Para Todos, lançado na semana passada pela Unesco. O mais abrangente balanço anual sobre o acesso e a qualidade do ensino faz um alerta: os governos precisam se responsabilizar mais pela gestão da escola pública. É um recado que parece feito sob medida para o Brasil. No país que reprova uma a cada quatro crianças da 1a série, podem-se culpar as crianças – ou o problema é de uma escola mal preparada para recebê-las? A enxurrada de notas vermelhas que o relatório crava no boletim da educação nacional não deixa dúvida. Governantes, secretários, diretores e professores é que deveriam levar bomba. A avaliação da Unesco se concentra no ensino da 1ª à 4ª série. O índice de repetência total dessa fase no Brasil é de 19%. Esse é só o começo do problema. A humilhação de sentar entre colegas bem mais jovens faz muitos alunos abandonar a escola. Por isso, o Brasil também foi mal no índice de “sobrevivência” na educação primária. Apenas 80% das crianças que entraram na 1a série chegaram ao fim da 4a. Pior que a sobrevivência na Bolívia, no Paraguai e no Quênia. “A repetência leva ao abandono, e esses índices são um problema sério para o Brasil”, diz a analista de políticas Nicole Bella, uma das autoras do relatório. A falta de competência para reter os alunos na escola resultou na queda do Brasil no ranking geral do relatório. Ele é ordenado pelo desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação, que combina dados de acesso e qualidade. De 129 países, o Brasil caiu da 76ª para 80ª posição. Para fechar o boletim, o Brasil é o único representante da América Latina na lista de países com mais de 500 mil crianças fora da escola. Ao lado do Senegal e Iraque. Os dados do Brasil citados no relatório são de 2003 – mas houve pouca melhora na maioria dos índices até hoje. “Este é o resultado do descaso. Há anos os governantes no Brasil só falam sobre a importância da educação, mas não aumentam o investimento”, afirma Sonia Penin, diretora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. O Brasil investe hoje 5% do PIB na área. A Unesco recomenda 6% na América Latina. Para Célio da Cunha, professor da Universidade de Brasília e consultor da Unesco no Brasil, o país só vai começar a melhorar quando cumprir essa meta: “Infelizmente, parece mais fácil jogar a culpa nos alunos”. A reprovação seguida de abandono é sintoma de uma perigosa cultura enraizada na escola pública: o responsável pelo fracasso é sempre o aluno, que não prestou atenção na aula. Ou sua família, que não valoriza a educação. “As escolas são responsáveis pelo aprendizado. Todos têm condição de aprender, nós é que não estamos em condições de ensinar”, afirma Cunha.

As marcas da cultura do fracasso não ficam só nas crianças que saem da escola. Nas regiões mais pobres, onde o ensino é pior, faz parte da formação de todas as turmas. “Onde as salas são lotadas e os professores mal preparados, o aprendizado é muito prejudicado. E as crianças que não conseguem acompanhar o conteúdo crescem achando que são burras, incapazes”, diz a socióloga Irene Rizzini, pesquisadora da PUC-Rio e presidente do Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância. Nos primeiros anos de escola, o processo é ainda mais cruel, já que as crianças ainda não conseguem perceber as deficiências do sistema a seu redor. “Elas absorvem tudo no nível pessoal, desenvolvendo um sentimento de impotência e incompetência. É desumano.”
Para resolver o problema, alguns Estados e municípios brasileiros adotaram a Progressão Continuada. É um sistema que abole a reprovação para algumas séries, dando aos alunos e à escola mais tempo para fazê-los acompanhar o ritmo dos demais. Mas foi criticado por permitir a aprovação de alunos mesmo sem saber o conteúdo. Isso gerou distorções como adolescentes ainda semi-analfabetos cursando a 6ª série. Em vez de Progressão Continuada, começou a ser chamado de “Aprovação Automática”. E caiu no descrédito dos pais e professores. Para Sônia, porém, o sistema é bom. Só tem de ser bem aplicado. “É necessário ter turmas menores, atendimento individual, aulas de reforço. As dificuldades devem ser trabalhadas quando aparecem, não podem ser jogadas para outra série.” Para Cunha, não há como reduzir a reprovação sem melhorar a qualidade do ensino de 1ª à 4ª, com qualificação dos professores e reforma das escolas. “O nó é a qualidade nos primeiros anos. Desatado, tudo ficaria mais fácil. Mas, para isso, precisa haver mais investimento.”
Enquanto a mudança não vem, a escola pública segue distante de sua função. Em pesquisa com 5 mil famílias, Irene, da PUC, perguntou aos pais com que pessoas e instituições podiam contar para a educação de seus filhos. A primeira figura a aparecer foram os avós, que sustentam os netos com a aposentadoria. Em segundo lugar, vieram as respostas “conto com Deus” e “não conto com ninguém”. A escola nem entrou na lista, tão pequena a parcela de pais que se lembrou de citá-la.
Pior que a África O porcentual de alunos brasileiros que repetiram o ano entre a 1ª e a 4ª série é maior que a média de repetentes da África Subsaariana, América Latina e Leste Asiático
SÓ METADE PASSOU Sala de aula em Maiquinique, interior da Bahia. Apenas 56% dos alunos foram aprovados ao fim da 1ª série em 2007Os alunos brasileiros estão entre os mais reprovados de ano no mundo. Só perdem para as turmas de Suriname, Nepal e um grupo de 12 países da África. Os dados são do Relatório Global de Monitoramento da Educação Para Todos, lançado na semana passada pela Unesco. O mais abrangente balanço anual sobre o acesso e a qualidade do ensino faz um alerta: os governos precisam se responsabilizar mais pela gestão da escola pública. É um recado que parece feito sob medida para o Brasil. No país que reprova uma a cada quatro crianças da 1a série, podem-se culpar as crianças – ou o problema é de uma escola mal preparada para recebê-las? A enxurrada de notas vermelhas que o relatório crava no boletim da educação nacional não deixa dúvida. Governantes, secretários, diretores e professores é que deveriam levar bomba. A avaliação da Unesco se concentra no ensino da 1ª à 4ª série. O índice de repetência total dessa fase no Brasil é de 19%. Esse é só o começo do problema. A humilhação de sentar entre colegas bem mais jovens faz muitos alunos abandonar a escola. Por isso, o Brasil também foi mal no índice de “sobrevivência” na educação primária. Apenas 80% das crianças que entraram na 1a série chegaram ao fim da 4a. Pior que a sobrevivência na Bolívia, no Paraguai e no Quênia. “A repetência leva ao abandono, e esses índices são um problema sério para o Brasil”, diz a analista de políticas Nicole Bella, uma das autoras do relatório. A falta de competência para reter os alunos na escola resultou na queda do Brasil no ranking geral do relatório. Ele é ordenado pelo desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação, que combina dados de acesso e qualidade. De 129 países, o Brasil caiu da 76ª para 80ª posição. Para fechar o boletim, o Brasil é o único representante da América Latina na lista de países com mais de 500 mil crianças fora da escola. Ao lado do Senegal e Iraque. Os dados do Brasil citados no relatório são de 2003 – mas houve pouca melhora na maioria dos índices até hoje. “Este é o resultado do descaso. Há anos os governantes no Brasil só falam sobre a importância da educação, mas não aumentam o investimento”, afirma Sonia Penin, diretora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. O Brasil investe hoje 5% do PIB na área. A Unesco recomenda 6% na América Latina. Para Célio da Cunha, professor da Universidade de Brasília e consultor da Unesco no Brasil, o país só vai começar a melhorar quando cumprir essa meta: “Infelizmente, parece mais fácil jogar a culpa nos alunos”. A reprovação seguida de abandono é sintoma de uma perigosa cultura enraizada na escola pública: o responsável pelo fracasso é sempre o aluno, que não prestou atenção na aula. Ou sua família, que não valoriza a educação. “As escolas são responsáveis pelo aprendizado. Todos têm condição de aprender, nós é que não estamos em condições de ensinar”, afirma Cunha.

As marcas da cultura do fracasso não ficam só nas crianças que saem da escola. Nas regiões mais pobres, onde o ensino é pior, faz parte da formação de todas as turmas. “Onde as salas são lotadas e os professores mal preparados, o aprendizado é muito prejudicado. E as crianças que não conseguem acompanhar o conteúdo crescem achando que são burras, incapazes”, diz a socióloga Irene Rizzini, pesquisadora da PUC-Rio e presidente do Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância. Nos primeiros anos de escola, o processo é ainda mais cruel, já que as crianças ainda não conseguem perceber as deficiências do sistema a seu redor. “Elas absorvem tudo no nível pessoal, desenvolvendo um sentimento de impotência e incompetência. É desumano.”
Para resolver o problema, alguns Estados e municípios brasileiros adotaram a Progressão Continuada. É um sistema que abole a reprovação para algumas séries, dando aos alunos e à escola mais tempo para fazê-los acompanhar o ritmo dos demais. Mas foi criticado por permitir a aprovação de alunos mesmo sem saber o conteúdo. Isso gerou distorções como adolescentes ainda semi-analfabetos cursando a 6ª série. Em vez de Progressão Continuada, começou a ser chamado de “Aprovação Automática”. E caiu no descrédito dos pais e professores. Para Sônia, porém, o sistema é bom. Só tem de ser bem aplicado. “É necessário ter turmas menores, atendimento individual, aulas de reforço. As dificuldades devem ser trabalhadas quando aparecem, não podem ser jogadas para outra série.” Para Cunha, não há como reduzir a reprovação sem melhorar a qualidade do ensino de 1ª à 4ª, com qualificação dos professores e reforma das escolas. “O nó é a qualidade nos primeiros anos. Desatado, tudo ficaria mais fácil. Mas, para isso, precisa haver mais investimento.”
Enquanto a mudança não vem, a escola pública segue distante de sua função. Em pesquisa com 5 mil famílias, Irene, da PUC, perguntou aos pais com que pessoas e instituições podiam contar para a educação de seus filhos. A primeira figura a aparecer foram os avós, que sustentam os netos com a aposentadoria. Em segundo lugar, vieram as respostas “conto com Deus” e “não conto com ninguém”. A escola nem entrou na lista, tão pequena a parcela de pais que se lembrou de citá-la.
Pior que a África O porcentual de alunos brasileiros que repetiram o ano entre a 1ª e a 4ª série é maior que a média de repetentes da África Subsaariana, América Latina e Leste Asiático
sábado, 29 de novembro de 2008

Que linda mensagem enviada pela professora Jubiléia, é incrível quando temos consciência de que as nossas vidas são permeadas de textos, e que os ensinamentos de Bahkthin não estão tão distantes como alguns imaginam. Quando li o texto enviado pela professora, de imediato lembrei-me de uma fala de Rubem Alves. Compartilho ambos com vocês, obrigada pelo carinho.
“As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos”. Rubem Alves
"Toda coisa que vemos, devemos vê-la sempre pela primeira vez,
porque realmente é primeira vez que a vemos. E então cada flor amarela
é uma nova flor amarela, ainda que seja o que se chama a mesma de ontem.
A gente não é já o mesmo nem flor a mesma.
O próprio amarelo não pode ser já o mesmo.
É pena a gente não ter exatamente olhos para saber isso,
porque, então éramos todos felizes".
(Fernando Pessoa)
porque realmente é primeira vez que a vemos. E então cada flor amarela
é uma nova flor amarela, ainda que seja o que se chama a mesma de ontem.
A gente não é já o mesmo nem flor a mesma.
O próprio amarelo não pode ser já o mesmo.
É pena a gente não ter exatamente olhos para saber isso,
porque, então éramos todos felizes".
(Fernando Pessoa)
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